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Blog do bebê larissa  
última atualização : 23/09 23:06  
 

   vencendo o medo do parto [19/07 21:12]   

Texto retirado do site: www.partocomprazer.com.br

"Você, que está aí com seu barrigão, deve pensar o tempo todo no dia D, na hora H…, não é? Pois eu tinha tanto medo de parto que já pensava nisso muito, muito antes de engravidar. Desde criança, aquelas imagens de filmes, com mulheres gritando, suando, fazendo uma força descomunal para parir, povoavam meu imaginário. Cheguei a ter pesadelos em que eu era a protagonista de tais cenas. Um horror.

O tempo passou e o Brasil, nesses trinta anos que me separam da infância, tornou-se o campeão mundial de cesáreas. Opa! Era a promessa de um parto sem sofrimento: chegou minha vez de ter filhos – foi o que pensei. Bastava gerar, marcar uma data, deitar na mesa e receber o bebê nos braços. Nada de dor, nada de ansiedade – afinal, quem precisaria sentir dor em pleno século 21, não é mesmo? E, sem sequer estar grávida, eu já dizia: parto, só se for cesárea. Muitas amigas protestavam. Cheguei a discutir com várias que tentavam me comunicar as vantagens do parto normal. Na minha cabeça, a cesárea era uma cirurgia rápida, sem complicações e que tinha pós-operatório cada vez mais facilitado pelos remédios. Eu possuía também um argumento poderoso: quase todas as mães que eu conhecia, mesmo as que manifestavam desejo de ter parto normal, acabaram fazendo cesárea. Isso era a prova cabal de que a mulher moderna não tinha mais condições de parir por vias normais seja porque perdera a capacidade de dilatar, seja porque o líquido sempre diminuía no final, seja por qualquer outra razão. E eu era uma mulher moderna…

Engravidei em agosto de 2005. O ginecologista, que já sabia do meu medo da dor, concordou plenamente com minha opção pela cesárea e disse que agendava cesarianas eletivas para as segundas-feiras. Assim, ficou pré-marcado.

Nesse percurso, o Maurício, meu marido, começou a trazer recortes de jornal com matérias sobre o abuso das cesáreas no Brasil. Eu ficava brava com ele, mas lia. Segundo as pesquisas, nos hospitais particulares, a taxa de cesáreas ultrapassa 80%. E, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, as cesáreas só são realmente indicadas em torno de 14% dos casos. Ora, isso significava que uma boa parte das cirurgias feitas aqui eram desnecessárias. As matérias relatavam ainda os riscos de ser operada sem necessidade – entre elas a infecção hospitalar. E havia também perigos para o bebê, que poderia ter problemas respiratórios e que não se beneficiaria com a massagem que o canal de parto faz em seu corpo. Da boca para fora, eu dizia para o Maurício: isso é tudo balela. Mas, no meu coração, a intuição de mãe começou a sinalizar: será que eu tinha direito de privar o bebê de um nascimento natural por causa do meu medo?

A grande guinada ainda estava por vir. Quando eu completei 6 meses de gestação, fomos ao chá de fraldas de uma amiga, a Lucymara, que já tinha tido o primeiro filho em casa com parteira e se preparava para ter o segundo em breve do mesmo jeito. Quando me ouviu falar sobre meu pânico ligado ao parto normal, ela fez um convite: “Toda quinta, eu vou a uma reunião onde o assunto é gravidez e parto… Participe de uma…”. Ao chegar lá soube que era o Gama – Grupo de Apoio à Maternidade Ativa, coordenado pela Ana Cris Duarte, educadora perinatal e doula (mulher que auxilia a parturiente com massagens e palavras de apoio). Havia cerca de dez grávidas na sala, muitas acompanhadas de seus maridos. Elas iam contando como tinha sido a semana, as conversas com seus obstetras, suas encucações. Meu choque: todas se deleitavam com a possibilidade de curtir as contrações, de sentir cada empurrão dos bebês para deixar o útero. Não se importavam com a dor – algumas teriam o filho em casa ou em Casas de Parto e, portanto, de antemão estavam dispensando a anestesia.

Quando falei que dor não era comigo e, por isso, faria cesárea, a Ana Cris disse: “Se você está tão decidida, já se preparou para o que há de pior… Qualquer outra coisa é lucro…”. Foi então que eu descobri que algumas das mulheres ali já tinham passado pela cirurgia e, agora, no segundo filho queriam parto normal de qualquer jeito. Mas, como? Não dizem que quem faz cesárea uma vez deve fazer sempre? Esse foi o primeiro mito que vi cair…

E de semana em semana, desabava um mito após o outro. Aprendi que cordão em volta do pescoço do bebê não é indicação de cesárea, nem bolsa rompida, nem presença de um pouco de mecônio (cocô do feto) no líquido, nem bebê grande, nem gravidez gemelar… Aprendi que a maioria de casos diagnosticados como “falta de dilatação”são, na verdade, “falta de tempo” do médico em esperar que a parturiente dilate naturalmente. Ora, você deve estar pensando “isso é loucura, isso é se arriscar”. Eu também pensava… Mas logo aprendi que suecas, alemãs, holandesas e tantas e tantas européias adotavam os mesmos princípios (lá as taxas de cesárea são baixíssimas). Elas também estariam se arriscando? Não. Seus índices de morte materna e neonatal são ínfimos. Na Europa, é comum esperar até 42 semanas de gestação. Aqui, os médicos marcam a cesárea para a 40ª. semana (quando não antes) porque depois disso o bebê entraria em “sofrimento”. Ora, ora, será mesmo que os bebês brasileiros entram em sofrimento mais fácil que os europeus? Não. Em muitos casos, nossos obstetras nem fazem o cardiotoco (exame para ouvir o coração do bebê) e já delatam um sofrimento imaginário.

Depois de tantas descobertas ligadas à cesárea, chegou a hora de certas revelações sobre o parto normal. O que eu conhecia era o tradicional: você chega ao hospital, passa várias dores, a enfermeira vem fazer exames de toque, raspa seus pêlos pubianos, em alguns casos te faz uma lavagem intestinal, seu médico chega e espera até que a dilatação esteja avançada (e, consequentemente, as dores também), daí te aplica a anestesia, faz um corte na sua vagina, manda você fazer força, o anestesista ajuda subindo na sua barriga e bebê nasce. Bom, esqueça! Aprendi que o bom parto era outra coisa. Raspar pêlo e lavagem eram procedimentos absolutamente dispensáveis. Mas o que me deixou atônita é que o cortinho na vagina (chamado episiotomia) era também desnecessário. Como assim? Ele não evita a bexiga caída? Não, as mulheres ficavam com bexiga caída no passado quando não havia sutura depois de eventuais lacerações naturais ou por ter tendência mesmo (muitas mulheres sem filho têm bexiga caída). O cortinho facilita para o médico, pois, deixa, sim, o parto um pouquinho mais rápido e é fácil de costurar, afinal é reto. Se você não fizer o corte e tiver uma laceração, o que nem sempre acontece quando o progresso do parto for lento e bem cuidado como deve ser, ela ocorrerá no sentido das fibras dos tecidos, e, portanto, de forma irregular – daí, é mais trabalhoso de costurar. Mais uma vez, as estatísticas: aqui, as episiotomias são feitas em 90% dos partos normais. Na Suécia, em 6% (quando se faz fórceps ou o bebê precisa nascer mais rápido). Esse número se repete em outros países europeus. Será que nossas vaginas são diferentes das delas?

Aos sete meses de gravidez, eu tinha lido uma infinidade de livros e consultado vários sites (recomendo o www.partodoprincipio.com.br e www.maternidadeativa.com.br). Ter tantas informações técnicas abriu-me um novo caminho. E nesse momento troquei de médico. Bati um papo franco com meu ginecologista e expliquei que, para o nascimento, procuraria um profissional que me proporcionasse um parto humanizado (com o mínimo de intervenções) – ele, que faz partos no molde mais tradicional, entendeu. Bom, eu já estava com nova médica e com a doula, mas o medo da dor continuava. Como seria ela?

Foi então que comecei a me deter na leitura de relatos de parto (em livros e sites), além de acompanhar os depoimentos que as outras grávidas do Gama faziam. Eu sempre perguntava: “Mas e a dor?”, principalmente para as que recusaram anestesia, mesmo parindo no hospital. A cada resposta, eu percebia: a dor não mora no corpo, mas na cabeça, na forma como a encaramos. Ou seja, minha dor seria só minha e eu precisava senti-la, vencê-la, ser mais forte do que ela. E, mais do que tudo, lembrar que a dor do parto não significa que algo vai mal. Pelo contrário: é o corpo funcionando.

Para completar esse quadro, uma vizinha muito bacana, a Camila, que estava grávida do segundo filho, acabou tendo o bebê em casa, sem planejar, só com a ajuda do marido. O trabalho de parto dela durou menos de duas horas e, quando ela percebeu, o Caio estava nascendo. Mãe e filho ficaram ótimos. Ora, isso me mostrou com clareza: nascer é um processo natural. Minha avó Domingas teve o seu primeiro filho no chão da cozinha, sozinha, e não se traumatizou afinal pariu mais cinco vezes depois. Por que nascer ficou algo tão cheio de riscos ao longo do tempo?

Passei a acreditar em mim. E meu marido me dizia sempre: “Tenho certeza de que você não precisará nem de anestesia”. Entrei em trabalho de parto, na 38ª. semana, numa quinta-feira, às 18h. Sentia apertões no pé da barriga a cada cinco minutos. Eles duravam pouco e eram leves. Fiquei tão feliz! Sabia que o processo ainda ia demorar, então passei a noite inteira acordada, monitorando aquelas contrações. Liberava bem meu maxilar quando elas se aproximavam, sorria. Na manhã seguinte, quando as contrações ficaram de três em três minutos e duravam um minuto, fomos ao Hospital. A doula e a médica já estavam lá. A doutora fez o toque: 8 centímetros de dilatação. E tudo me parecia tão suave. Fiquei andando pelos corredores e ainda demorou para o bebê descer, pois a bolsa tinha muito líquido. As contrações só ficaram mais fortes por volta das 16h. Então, sim, eu abria a garganta e fazia um aaaaaahhhh, longo como um grito de tenista. O Loretto nasceu às 18h05, sem que eu tomasse anestesia, sem ninguém empurrar. Aportou por aqui na hora que quis, super tranqüilo e saudável, sem efeitos de remédio. O Maurício cortou seu cordão umbilical só depois de 30 minutos, dando tempo para que ele se adaptasse calmamente ao novo mundo, aninhado em meu colo. Foram 24 horas de trabalho de parto, mas eu garanto: tudo é muito fácil se você estiver tranqüila e bem apoiada por pessoas queridas. Por isso, não hesite em trocar de médico se ele tiver, digamos, mais que 30% de cesáreas entre os partos que pratica, ou se disser que espera no máximo 40 semanas de gestação.

Logo após o nascimento eu tinha uma energia enorme, eu queria sair pulando de tão bem, nem queria dormir. Como não me fizeram corte na vagina e não houve laceração, minha região vaginal estava sem dor nenhuma, nem precisei de curativos – meu períneo está igual ao que era antes. Foi tudo tão perfeito que parecia sonho. Mas era real. E aconteceu comigo – a mais medrosa entre as medrosas. Vencer o medo, além de todos os benefícios concretos do próprio parto, trouxe o abstrato poder de confiar no meu corpo. Fui mãe, cresci, sou mulher. E agora me sei muito mais completa e forte do que antes."

Márcia Carini é jornalista paulistana


Fonte: http://www.partocomprazer.com.br/?p=786



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   Comentários
MEDO DO PARTO
ESTOU COM 33 SEMANAS E 4 DIAS E ESTOU COM MUITO MEDO DO PARTO SINTO UM TREMOR NO CORPO VONTADE DE CHORAR SE MINHA FILHINHA MECHE TENHO MEDO DELA NAO COMO TENHO MEDO DE IR AO BANHEIRO TO COM MUITO MEDO E ESTOU NA MINHA SETIMA GESTACAO E ISSO NUNCA ACONTECEU COMIGO PENSSO QUE VOU MORRER QUE MEUS FILHOS VAO FICAR SOZINHOS PORFAVOR ME AJUDEM TENHO UM SUOR ESCESSIVO E COMECO A TREMER MUITO AS PERNAS AS MAOS E MUITO FRIO
Escrito por: PATRICIA PONTES LEMOS | 05/05 22:46

medo do parto
nao sei o pq do medo agora axo q é pq todos ao meu redor ao invés de me ajudar nao eles me apavoram estou na minha segunda gestaçao a primeira foi uma bençao estourou a bolsa fui pro hospital ja estava com nove cm meu menino nasceu nao levei um ponto porisso digo é sempre bom caminhar durante a gestaçao pq ajuda na dilataçao e vcsofre bem menos. Mais agora dessa gestaçao ja estou com 37 semanas estou na reta final caminhei muito pouco me encomodei demais porisso agoraestou com medo da hora do parto por nao tercaminhado nada mais seja oq deus quizer e boa sorte pra mim bjsss meninas e qm ainda esta no inicio da gestaçao ainda caminha pq é melhor pra mamae e pro bebe na hora do parto bjinnnnn
Escrito por: pamela mayer | 13/02 18:06

medo Apavoro
estou Gravida de 35 semanas 8 meses puts, estou apavorada pra hora do parto até sonho , minha ginicologista tenta me acalmar mas sei lá tenho medo da dor imensa que supostamente devo sentir cada vez que o bebê se mexe me apavoro mais já penso na hora que eu entrar em trabalho de parto ....socorro gente alguem me ajude a me acalmar
Escrito por: soraya | 04/05 15:19

MedOo dO partO
Oiee gente! e minha primeira gestação mais to morrendo de medo do parto,tanto cesaria quanto normal....penso tds os dias oq faço? bj
Escrito por: Cida | 12/02 22:02

medo
tenho 14 anos tenho medo do parto normal sentir dor essas coisas ainda estou com 3 meses mais ja penso nisso
Escrito por: jhessica | 08/12 19:27


Nossa, eu estou com apenas doze semanas, mas não sai da minha cabeça como vai ser o parto, lembro que quando era adolescente queria ser mãe, mas sempre pensava meu Deus e se eu morrer na hora do parto?!? Agora que eu realmente estou grávida o medo aumentou, mas sei que tenho que pensar que vou viver e criar meu filho(a) até ficar velhinha hehehe... Tb penso em fazer parto natural, foi a primeira coisa que falei com a minha obstetra paara que priorizasse o natural e não cesárea, tomara que dê tudo certo... e beijos para as mamães e futuras mamães assim como eu!!! =)
Escrito por: kkzinha 24 | 26/09 18:31

Medo do parto.
bom dia, gostei muito da matéria, mas mesmo assim me trmo toda em pensar no parto, choro muito, tenho ansia, fico nervosaenfim penso que vou morrer que meu médico não va na hora do parto que vou ser atendidada por um plantonista ruim na hora. Nossa o que faço meu Deus.
Escrito por: jussara | 27/04 14:25

sonho realizado
bom gostei muito da matéria acima tirei bastante de duvidas.já tive um parto normal foi tudo bem. agora estou grávida de novo e tenho muito medo da tal cesárea.sempre peço a deus que de tudo certo e que seija igual a primeira. foi tudo de bom. bom a recompensa de toda aquela dor vem logo depois. so vc estar com aquele ANJO nos braços vale tudo apena. boa sorte a toda as as mamães.
Escrito por: Danielly Inacio | 12/02 15:18


estou gravida de seis meses e considero o melhor texto que ja li ate agora ja li varios esse tirou ate o meu medo do parto meus parabens adorei esse site!
Escrito por: Roselinny cristina | 27/07 18:36

Oi Yara Biasutti
Na verdade esse texto não é meu, tirei ele do site Parto com Praser, mas é assim mesmo, espero que consiga seu parto natural, estou torcendo. beijos
Escrito por: Talita | 20/07 1:16

Oi Yara Biasutti
Na verdade esse texto não é meu, tirei ele do site Parto com Praser, mas é assim mesmo, espero que consiga seu parto natural, estou torcendo. beijos
Escrito por: Talita | 20/07 1:14

Medo da dor!
Oi Marcia, q bom ler sobre o seu parto tao tranquilo! Acho q na verdade a gente acaba fazendo tempestade em copo d'agua sobre isso ne! Eu estou esperando meu primeiro filho, e tenho procurado artigos sobre partos, e claro conversando c minhas amigas tb! Todas fizeram cesarea, apenas uma encarou o parto normal, mas acabou me assustando dizendo q o parto era "anormal" q ela sofreu muito! Mas tb, falo por ela agora q tah toda cheia d disposição! Enfim, axo q eh mesmo da cabeça d cada um, e eu to rezando pra ter estrutura p ter parto normal! E seja o q Deus quiser! Bju grande
Escrito por: Yara Biasutti | 19/07 23:40


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